Piza a várias mãos

Cá em casa, dia de piza é dia de festa. Não só porque é uma alternativa às refeições de faca e garfo, mas porque é uma oportunidade de, literalmente, meter as mãos na massa. Amassar, polvilhar, esticar são tarefas que todos gostam, tanto como escolher os ingredientes da piza do dia.
Até que um dia alguém mencionou que pesto no lugar de pasta de tomate é que seria bom, logo contrariado por quem gosta de fazer as coisas segundo a tradição. Foi assim que tive a ideia de fazer piza à vontade do freguês.

Cortada a massa em partes iguais, cada um teria liberdade de incluir o que mais lhe apetecesse no momento. Nesse dia surgiu uma versão com sardinhas e piri-piri, outra com atum e ovo e uma terceira com espinafres e feta.

A partir daí nunca mais o dia de piza voltou a ser o mesmo. A criatividade é o mote e a alegria multiplica-se.

Comida aos bocadinhos

O termo foi inventado pelo benjamim da família para nomear um dos seus pratos favoritos. Na verdade, de todos nós, incluindo a cozinheira que, chegadas as férias escolares, começa a desesperar com falta de ideias para refeições.

Comida aos bocadinhos são os restos que vão ficando no frigorífico mas que nunca chegam para uma refeição completa. Um bocadinho de carne, um pouco de arroz e outro de massa, restos de peixe ou de frango que se transformam num delicioso paté (1 colher de iogurte, 1 colher de maionese, gotas de limão e garam masala a gosto), a que se acrescentam uns ovos mexidos ou um cuscuz, que se prepara num instante.


Há alturas quem me dá para ser criativa e às gemas dos ovos cozidos acrescento pesto, voltando a encher os buracos com essa pasta.

Nos dias mais quentes, recorro às frutas, às saladas com sementes, a taças de nozes ou amendoins, às vezes até a um pacote de batatas fritas.

Noutros dias, na mesa apresentam-se rolinhos de fiambre, cubos de queijo, azeitonas, inteiras para ir mordendo ou em pasta para barrar no pão, uma lata de atum ou sardinhas.

Com comida aos bocadinhos nenhuma refeição é igual, e é isso o que faz dela uma festa, por mais simples que seja.

Dar-lhes tampa

Num dos primeiros posts que escrevi neste blog falava dos eletrodomésticos que tinha posto de parte e dos que nunca tive. Ausente de todas as casas onde vivi esteve sempre o micro-ondas; mais por acaso do que por qualquer posição em relação ao dito. Com o tempo, além dos potenciais malefícios para a saúde, descobri que não lhe sentia a falta. Por feitio, hábitos, modo de vida, acabei por encontrar outras soluções.
Acontece, quando vou para a cozinha saltar-me a tampa. Sobretudo quando quero uma refeição rápida, saborosa e saudável. Ou seja, salta-me a tampa com facilidade.

Quando quero legumes salteados apenas com um pouco de azeite, salta-me a tampa para cima da frigideira. Desta forma mantêm a cor e todo o sabor.
Se do dia anterior sobrou arroz, basta salteá-lo com um pouco de manteiga e uma pitada de caril e, voilá!, há um prato renovado na mesa.

Salta-me a tampa quando a ideia é estufar peixe, a que acrescento o que houver no frigorífico: tomate, pimento, ervilhas, alho-francês… Bastando juntar um pouco de água ou um pouco de vinho branco, a refeição é cozinhada no suco dos próprios alimentos. E uns bifes de frango, regados com sumo de laranja? Em dez minutos está feita uma refeição tão apetitosa como saudável.

Obviamente, também me salta a tampa ao pequeno-almoço quando, em vez de ovos mexidos, opto por os escalfar num ninho de espinafres, sem outro líquido senão o que se liberta das folhas.

O melhor é que nem sequer é preciso comprar frigideiras com tampa. Há à venda tampas de todos os diâmetros, que encaixam nos utensílios que já temos em casa. Normalmente, por menos de 5€ fica resolvida a questão.

E assim continuarei a dar tampa ao micro-ondas.

Dias de primavera

Flores que crescem entre as couves da horta da vizinha. Ovos pintados com técnicas diversas. Preparativos para o melhor pão de ló. Boa Páscoa.

Receita de pão de ló como faz a minha irmã

15 ovos (12 gemas + 3 ovos inteiros)
450 gramas de açúcar
100 gramas de farinha de trigo
1 colher de sopa de fécula de batata
2 colheres de sopa de fermento

Separam-se as gemas e as claras de 12 ovos. Batem-se as gemas e os ovos inteiros com o açúcar, na batedeira, durante 20 minutos (o segredo para que fique bem fofo está aqui). Junta-se a farinha, a fécula e o fermento. No final, acrescentam-se as claras em castelo.
Forra-se uma forma com papel de pão de ló (ou, à falta deste, cartolina fina).
Vai ao forno a 180º, durante 50 minutos.