Obviamente, congelo-o

Sabem quando estão prestes a ir de férias e, por mais que tentem gastar tudo, sobra sempre alguma fruta ou legumes no frigorífico? Ou quando algum amigo ou vizinho vos traz mais do que conseguem consumir? Claro que sabem. E, se há alturas em que há tempo para transformar o excesso em compotas e gelados, noutras ocasiões só nos resta ser inventivos.

Foi o que aconteceu há umas semanas, quando me deparei com demasia de limões. Primeiro transformei-os em sumo, que congelei em cuvetes de gelo, para limonadas e temperos futuros. Mas depois fiquei a olhar para as cascas, sem coragem de as deitar ao lixo (as cascas de citrinos não devem ir para o compostor). Pensei que às vezes compro limões especificamente para usar a raspa, mas raspar as cascas quando já não têm sumo não é fácil e, além disso, não via como podia guardar a raspa de forma a poder utilizar a quantidade que fosse necessária na altura. Resolvi então fazer uma experiência: congelar as cascas assim mesmo.

Descobri que basta passar uns segundos por água fria e a raspa sai tão fresca e saborosa como a de um limão acabado de comprar. Agora tenho sempre raspa de limão quando preciso: para um bolo ou mousse de chocolate, para acrescentar à carne picada dos hamburgueres, para aromatizar o requeijão. Como bónus descobri que o resto da polpa já sem casca pode ir para o compostor sem problemas.

Cada vez mais atenta ao desperdício alimentar (segundo notícias, cada um de nós desperdiça em média 132 Kgs por ano!), passei também a aproveitar os troncos dos brócolos e couve-flor. Fazia-me impressão descartar aquela parte mais dura mais ainda comestível. Agora ponho-os de parte, corto em pedaços e, obviamente, congelo-os. Uso depois em sopas, caldos de legumes, refogados, até na travessa dos assados.

Obviamente, congelo tudo o resto que não vai ser consumido de imediato. Aos tomates, que este ano me foram oferecidos em abundância (a colheita da minha horta foi muito fraca), conservo-os de várias formas: os mais pequenos vão direitos para o congelados, aos outros tiro-lhes a pele e sementes e simplesmente passo por varinha mágica ou então faço molho de tomate mais elaborado, para usar como base de pizas ou numa massa com restos de carne assada.

Aproveito também para vos convidar a ler este artigo, para mostrar os números avassaladores do desperdício alimentar e como este engloba “questões ambientais, económicas, sociais e éticas”.

Quando chegar a época, mostro o que faço com as cascas das laranjas…

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Missão férias: resgate do lixo

As férias fora de casa podem servir para muitas coisas: quebrar a rotina, conhecer sítios novos, entrar em contacto com outras formas de estar e de viver, provar novos sabores e formas de cozinhar, construir memórias e estreitar laços, descansar, … a lista é longa e cada um fará a sua, com prioridades diferentes.

Não servem, pelo menos para nós, para relaxar no que é importante. E importante é carregar na bagagem diária o respeito pelos outros e pelo ambiente que nos rodeia.

É por isso que quando vamos para o poiso habitual na Galiza, no final da estadia vimos com o carro carregado de vidros e papel até ao ecocentro mais próximo. Não é por estarmos fora de casa que deixamos de separar o lixo. Os cantis, para encher com água da torneira, também viajam sempre connosco, seja para um destino próximo ou distante.

Não é por estarmos de férias, que passamos mais tempo no duche ou deixamos as luzes acesas sem necessidade; o facto dessas despesas estarem incluídas no preço da estadia não nos leva a a achar que podemos desperdiçar recursos sem problemas de consciência. O mesmo com as tolhas de banho, que não mudamos mais vezes do que faríamos em casa. O mesmo com tudo, enfim.

Por isso, é com naturalidade que os garotos interrompem um passeio de caiaque para trazer para a margem um enorme volume que andava a vogar por ali. Infelizmente, o mar continua a ser o caixote do lixo que se encarrega de levar para longe ou para as profundezas aquilo que ninguém quer.

Desse “lixo” temos vindo a recolher nos areais galegos caixas que os pescadores deitam ao mar, sabe-se lá porquê. Se há uma ou outra que se encontram partidas, muitas encontram-se em perfeito estado, jazendo na praia à espera que as marés de inverno as levem novamente de volta para o Atlântico. Cá em casa vão encontrando destino, seja para conservar as colheitas da horta, seja para servirem como arrumo provisório da roupa a ser dobrada ou para ir depositando quinquilharias várias.

São gestos pequenos, que não mudam o mundo mas que o tornam um bocadinho, mesmo que só um bocadinho, melhor. E as férias também podem servir para isso.

Correio arco-íris

Quem algum dia se correspondeu com um pen pal ponha o dedo no ar. Na altura (no meu caso, início dos anos 80) era quase a única forma de termos algum contacto com pessoas da mesma idade, com línguas e hábitos diferentes; um vislumbre de outra forma de estar, uma janela para outros mundos. A comunicação era lenta, sujeita a falhas e atrasos. Passavam-se semanas, meses, até ter resposta às cartas que enviava para França, Singapura e o Brasil, para ver finalmente uma fotografia das pessoas com que me correspondia, ser informada de notícias, passatempos, gostos musicais.

Havia também postais breves das férias de familiares e amigos, que muitas vezes chegavam depois dos próprios, mas eram sempre recebidos com surpresa e alegria. E postais com meninas bem comportadas a soprar velas em dias de aniversário. Havia as longas cartas para a grande amiga do liceu, a tentar colmatar o tempo que passávamos separadas nas férias, e também as cartas dos namorados, num rol de palavras doces.

Guardo toda essa correspondência em várias caixas, cuidadosamente arrumadas em maços de cartas, com fitas a identificar o remetente. Como um diário, fazem parte de quem eu fui, de quem eu sou. Revelam histórias de amizades, laços apertados desfeitos com o tempo, relações fortes que se mantêm ao longo destas décadas, encontros breves que criaram raízes.
Sei que, por mais que mude de casa, por mais minimalista que me torne, por mais arrumações que faça, estas caixas vão manter-se sempre comigo.

Por falar em arrumações, foi precisamente numa limpeza geral ao escritório que deparei com várias revistas a ocupar espaço precioso. Triagem feita, sobraram algumas destinadas ao caixote da reciclagem quando me lembrei que me faziam falta envelopes.

Sim, porque apesar desta época tecnológica, dos correios electrónicos que troco com uma amiga (com a intensidade da correspondência epistolar de outrora), da rapidez com que podemos informar os outros sobre qualquer coisa que nos aconteça, da eficaz agenda do Facebook, ainda gosto de celebrar os aniversários com um postal, de desejar Boas Festas da mesma forma, até de enviar cartas ocasionais, em modo correio lento.

Copiando descaradamente a ideia da Manuela lembrei-então de reutilizar algumas páginas dessas revistas para criar os coloridos sobrescritos que podem ver aqui. Para tanto bastou um envelope aberto a servir de molde, lápis, tesoura, cola, música de fundo e alguns minutos de sobra numa tarde a cheirar a primavera.

Agora, na próxima vez que for aos correios enviar uma carta e me perguntarem “azul ou normal”, vou poder responder, com um sorriso: “arco-íris”.

Dias assim

2016

O ano não entrou propriamente tão soalheiro como a imagem faz acreditar, mas começou com a promessa de uma vida mais saudável, mais mexida, mais fora de portas, com vontade de reunir com amigos mais vezes, em volta de uma mesa ou de uma toalha estendida no prado.
Começou também a terminar projetos vindo do ano velho, como o de coser as nossas iniciais a guardanapos de pano. Mais uma vez utilizei pedaços de ganga, debruadas a linha vermelha, num contraste que me agrada. Como duas iniciais se repetem, optei por dois tons de ganga. Não ficou uma obra de arte, mas cumpre a função e gostei do resultado.

E gosto mais ainda de brincar com as iniciais, que vou trocando ao sabor do momento e da disposição.

Porque há dias de plenitude…

Alma

… dias em que à mesa se alimentam os sonhos…

Mala

… e outros dias, de regozijo ou desalento (e a mesma palavra pode significar tanta coisa).

Lama

Afinal a vida é feita de dias assim e assado. Sirva-se, com apetite.

De sacos cheios

Está a tornar-se um hábito, transformar velhas calças de ganga em objetos úteis. Foi assim com as pegas de cozinha, com bolsas para telemóveis, com apliques em guardanapos (trabalho em curso). Há umas semanas precisei de substituir os guarda-sacos, feitos por mim e já com muitos anos de uso.

Lembrei-me então que a forma mais fácil e rápida de o fazer (não me ajeito com máquinas de costura e faço sempre tudo à mão) seria aproveitar as pernas das calças, que já têm a forma pretendida, sendo apenas necessário cortar à altura que precisava.

Na bainha existente bastou descoser um pouco a costura, para poder passar o cordel que serve para pendurar os guarda-sacos. Só na parte de baixo tive de coser uma dobra, para meter o elástico. Como também reutilizo os sacos para fruta e legumes, fiz os dois em tons diferentes. E assim tenho sempre sacos à mão, quando tenho de ir às compras.

Para quem precisar saber com mais pormenor como se faz um guarda-sacos, há bastantes tutoriais mais detalhados. Como este, que aproveita pedaços de tecido, ou este bem mais simples. Há ainda outras alternativas, aproveitando garrafas de refrigerantes, que podem ser feitas com a ajuda das crianças de casa. Seja em versão divertida ou então mais elegante.

Bem-vindo outono

Apesar das temperaturas mornas, do guarda-roupa leve, nas águas que ainda convidam a um mergulho (bem revigorante), é oficial: o outono chegou. Mesmo imaginando uma vida sem calendários ou avisos da hora exata da entrada na estação mágica, os sinais seriam inequívocos. Já partiram os bandos chilreantes de pássaros deixando em seu lugar o crocitar melancólico das gralhas e dos corvos. Agora há brumas matinais, nozes e maçãs pelo chão, vizinhos que nos enchem a casa de abóboras, um recolhimento interior e vontade de retomar as tradições que inventámos para nós.

E assim o outono vai entrando na nossa vida pé ante pé, até ao dia em que sabemos que se instalou para ficar. É o dia de festa em que acendemos a lareira pela primeira vez. Porque parece um ritual sempre novo; encher o cesto com lenha, fazer bolas de jornal para uma combustão rápida, acender o fósforo iniciático e depois ficar quietos no sofá, hipnotizados pela dança das chamas e do crepitar dos galhos.

Ao entrar no sexto outono que passamos em Trás-os-Montes, ainda me custa a acreditar que toda a lenha usada na lareira venha das poucas árvores que nos rodeiam a casa. Não é um pequeno bosque, sequer: ulmeiros doentes a ladear os taludes, ramos de nogueiras antigas que secam com o tempo, cerejeiras a descair para o terreno contíguo. Coisa pouca. E, no entanto, suficiente para encher o canto da lenha (construído pelo marido, que descobriu talentos desconhecidos desde que se mudou para o campo), para mais um outono, mais um inverno.

Sermos nós a cortar, transportar e guardar a lenha, tem ainda uma vantagem, apontada por um vizinho, com o habitual humor transmontano: “Aquece agora e aquece depois”. Só benefícios, portanto.

NÃOstlé

Nos artigos e posts que escrevo só menciono nomes de marcas quando é absolutamente necessário. Ou então por distração porque, mesmo involuntariamente, alguns produtos acabam por se impor no nosso vocabulário. Ainda recentemente editei um texto, acabado de enviar para publicação, alterando a palavra nutella para a mais genérica designação de creme de chocolate com avelã.

Sei que sou picuinhas, afinal de contas digo jipe (da jeep) se falo de um carro todo-o-terreno, passei a juventude a vestir kispos quando o frio obrigava ao uso de anoraques e ignoro se existe outra palavra para x-acto, nome da empresa americana que comercializa produtos para escritório. Mas, por norma evito fazê-lo.

Pois bem, hoje vou fazer uma exceção: este post estará repleto de menções a empresas e marcas. Porque é necessário.

Como em muitos lares portugueses, também aqui entrou nescafé, nesquik, nestum e uma miríade de cereais de pequeno-almoço. Aos poucos fui fazendo alterações na alimentação, pelo excesso de açúcar e outros ingredientes desnecessários que via na lista de ingredientes. O chocolate em pó foi substituído por cacau, a que cada um adiciona o açúcar que quer, tendo mais consciência do que consome – eu, que gosto imenso de um leite com chocolate no inverno, descobri que se juntar um pouco de canela ao cacau posso prescindir de qualquer adoçante.

Café solúvel era raramente usado, pelo que um frasco de nescafé durava imenso tempo, e as crianças deixaram de apreciar nestum. Sobraram os outros cereais, com anúncios tão apelativos na TV e uma imensa variedade de formas e sabores, além de brindes, que se iam acumulando na caixa de coisas inúteis.

Até que, numa noite de insónia, vi um documentário sobre a marca que a nestlé e a coca-cola deixam no mundo. As mães que em Chiapas (o mais pobre Estado do México) alimentam os bebés com leite em pó diluído em coca-cola (porque não têm acesso a água potável e a bebida com cafeína é mais barata e mais acessível) e os navios pintados com a sigla da nestlé a subirem o Amazonas ávidos de novos consumidores, deixaram-me a certeza de que não é uma pegada, mas uma rasto enorme e sujo aquele que estas empresas deixam no mundo.

Há muito que percebi que manifestações, assinaturas, likes e posts revoltados no facebook pouco adiantam, se logo a seguir seguirmos a nossa vida da forma habitual. E que a única forma de fazermos mudanças é através da carteira, ou seja, das escolhas que fazemos na altura de comprar. Por isso, quando uns dias mais tarde vi este vídeo, que mostrava o total desprezo que a nestlé tem pelos recursos naturais resolvi banir qualquer das suas marcas do meu cesto de compras. Não foi fácil, porque a teia da nestlé estende-se a cada dia, abrangendo agora um número muito grande de empresas que costumavam ser portuguesas (no café só a Delta escapou). Mas também não foi um drama, há sempre outras alternativas.

Dir-me-ão que o meu gesto é insignificante, que os alicerces da maior empresa alimentar do planeta não tremem quando um simples cliente deixa de comprar os seus produtos. Mas a verdade é que os sucessivos boicotes mundiais à nestlé são tão significativos que obrigam a uma justificação no site da empresa, embora aqui seja dado destaque ao boicote iniciado nos anos 70 e não ao que se passa na atualidade.
Ainda recentemente, a pressão de várias ONGs fez com que a água engarrafada da nestlé não estivesse presente no pavilhão da Suiça, na Expo 2015 em Milão. Aliás, a água, que a nestlé quer privatizar e utilizar a todo o custo (mesmo em locais afetados pela seca) tem sido a causa dos protestos e boicotes mais recentes.

Por cá o movimento ainda é quase inexistente ou ignorado, mas porque o saber não ocupa lugar, aqui fica lista dos produtos comercializados pela nestlé em Portugal.

No Brasil são estes.

A escolha agora é vossa. A minha já foi feita.

Flores da época

1_marmeleiro

Houve tempos em que fazia questão de receber os amigos com muitos mimos: quando as horas sobejavam e ainda não havia miúdos para nos encherem os quartos e a vida – há muito tempo, portanto.
Nessa altura, no quarto que ainda era para as visitas havia cama feita com lençóis passados e flores frescas na mesinha de cabeceira. Uma vez, a amiga acabada de chegar agradeceu o cuidado, mas acrescentou que não gostava de flores compradas. Que, para ela, o melhor seria não ter nada, ou então uma qualquer verdura apanhada no campo. Como é uma pessoa com um feitio, digamos… peculiar, nem perguntei porquê. Tomei nota mental do seu comentário, acrescentando-o a outras estranhezas suas.

Ainda não tinha consciência dos milhares de quilómetros que muitas flores fazem, em contentores refrigerados, até chegar às lojas e a nossas casas, onde vão murchar em poucos dias. Nem das dezenas de pesticidas usados, do gasto de água em produtos que não são alimentares, das toneladas de plástico que são utilizadas para as embrulhar. Passei então a olhar para as flores com outros olhos, os mesmos que uso quando vejo cerejas à venda no Natal ou laranjas sul-africanas no verão – e eu gosto muito de laranjas.

Se fruta só compro a da época e tenho sempre em conta a origem (quanto mais próxima, melhor) passei a fazer o mesmo com as flores. Com a vantagem de que agora nem as flores compro, rodeada que estou de campos, sebes, montes, prados, e com um jardim que agora se multiplica em tufos floridos de rosmaninho. E assim vou vestindo a casa com as estações, enchendo-a de flores na primavera, de ervas secas no verão, de ramos amarelos no outono, com líquenes ou botões de roseira-brava no inverno.

Numa cidade, sem campos nem sebes, há a alternativa das feiras e mercados onde, a par com frutas e legumes, muitas vezes há quem venda as flores da época. E uma escolha enorme de vasos floridos, ou um espaço na varanda onde plantar girassóis.

Mais difícil será ter a surpresa que tive há dois dias, já andava eu a matutar neste post: encontrar à porta de casa sacos com rosas e ovos, cortesia de uma vizinha. Não há ramo, por mais caro e vistoso que seja, que se compare a estes gestos.

Para saber mais sobre a produção de flores em larga escala, pode ler aqui e aqui.

Operação mãos limpas

Não sou de acumular coisas. Sempre que há algum objeto que deixa de ser usado, roupa que não serve, livro que não interessa guardar, dou-lhe outro destino que não seja ficar num caixote a ocupar prateleiras ou armários. E hoje em dia não faltam sítios onde o lema “o lixo de um homem é o tesouro de outro” pode ser posto em prática. Instituições de solidariedade, sites como o freecycle ou de compra e venda como o olx ou o custojusto, grupos de trocas no facebook, lojas de artigos usados, alfarrabistas, bookcrossing e bibliofeira, enfim, a lista é interminável.

Dito isto não gosto de deitar nada ao lixo, a não ser o que é mesmo lixo, ou seja, aquilo que não vai para o compostor, já não pode ser reutilizado nem serve para a reciclagem – e há tantas coisas que podem ser recicladas, além da trilogia papel/vidro/embalagens: óleo vegetal, rolhas de cortiça, tinteiros, tampas de garrafas de plástico, pilhas.

Foi por isso que durante meses fui guardando os pedacinhos de sabonete que sobravam nas saboneteiras. Sabia que havia de encontrar uma forma de os voltar a utilizar. Na internet não faltam sugestões, mas optei pela via que me pareceu mais rápida e eficaz: colocar os vários pedaços dentro de um collant velho ou meia puída. E assim tenho um sabonete para usar na lavandaria. E nenhum desperdício.