Sua Majestade, a uva

Não pensem que exagero, ao tratar com tanta cerimónia os cachos (ou gaipos, como se dizia na minha infância) que crescem no fundo do nosso quintal. É que não se trata de uma qualquer vinha plebeia: produz Uvas de Rei, também conhecida noutras terras como Marufo, Mourisco Tinto, Moroco ou Olho de Rei, casta do nordeste com que se faz também o vinho do Porto, segundo informações recolhidas no vasto mundo da net.

Estas uvas anafadas, de sangue bem vermelho e surpreendentemente doces são aqui tratadas com tudo o que merecem. Neste bucólico SPA as vinhas são nutridas com a mais pura água da chuva, têm os pés massajadas por ventos e brisas, e marcação para cuidadoso corte anual. Sempre rodeadas da mais perfeita sinfonia, orquestrada por aves de diferentes tamanhos e feitios.
Doutros “tratamentos” estão livres. Enxofres e adubos, pesticidas e herbicidas são produtos que não entram no cardápio, por isso as debicamos sem preocupação.

Quando estão maduras tratamos-lhe da saúde, antes que os bandos de estorninhos o façam, de forma rápida e radical. Chegam então à mesa, acabadas de apanhar ou transformadas em variadas sobremesas, todas majestosas. Eis algumas ideias.

Tarte Soberana
Cortam-se a meio duas chávenas de uvas lavadas, mantendo a casca mas retirando as grainhas. Colocam-se as uvas numa panela com 1 chávena de açúcar, 1 colher de sopa de sumo de limão e uma pitada de sal. Leva-se a lume brando durante cerca de 25 minutos e deixa-se arrefecer.
Entretanto forra-se a tarteira com uma folha de massa areada deitando as uvas por cima. Cobrir com um crumble (misturar 150 gramas de farinha com 100 gramas de manteiga e 70 gramas de açúcar, de forma a obter uma massa granulosa que é colocada sobre as uvas). Levar ao forno a 180º por 25 minutos.
Se desejar, servir com natas batidas sem açúcar.

Sorvete Imperial
Lavam-se e pesam-se 700 gramas de bagos de uva inteiros (com casca e grainhas). Colocam-se numa panela com 1 dl de água a ferver durante 5 minutos. Reduz-se o lume e deixa-se cozer durante mais 10 minutos. Nesta altura, e com a ajuda de uma colher de pau, pode ir esmagando os bagos para que libertem mais sumo.
Deixa-se arrefecer por um bocado e depois passa-se tudo por um escorredor de rede, descartando as cascas e grainhas. A seguir junta-se ao líquido 100 gramas de açúcar, mexendo bem.
Quando a mistura estiver bem fria deita-se na sorveteira. Quem não tiver sorveteira pode colocar diretamente no congelador, mexendo com um garfo de hora em hora (2 ou 3 vezes) para evitar que se formem cristais.

Compota Monarca
Junte 500 gramas de açúcar por cada quilo de uvas (com casca mas sem grainhas). Adicione 2 estrelas de anis. Leve ao lume até formar o ponto estrada.

Todas estas receitas (de nomes improvisados para realçar a realeza da casta) podem ser feitas com qualquer tipo de uvas. No entanto, o ideal é que sejam biológicas, para evitar todos os produtos com que as vinhas são normalmente pulverizadas.

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