Missão férias: resgate do lixo

As férias fora de casa podem servir para muitas coisas: quebrar a rotina, conhecer sítios novos, entrar em contacto com outras formas de estar e de viver, provar novos sabores e formas de cozinhar, construir memórias e estreitar laços, descansar, … a lista é longa e cada um fará a sua, com prioridades diferentes.

Não servem, pelo menos para nós, para relaxar no que é importante. E importante é carregar na bagagem diária o respeito pelos outros e pelo ambiente que nos rodeia.

É por isso que quando vamos para o poiso habitual na Galiza, no final da estadia vimos com o carro carregado de vidros e papel até ao ecocentro mais próximo. Não é por estarmos fora de casa que deixamos de separar o lixo. Os cantis, para encher com água da torneira, também viajam sempre connosco, seja para um destino próximo ou distante.

Não é por estarmos de férias, que passamos mais tempo no duche ou deixamos as luzes acesas sem necessidade; o facto dessas despesas estarem incluídas no preço da estadia não nos leva a a achar que podemos desperdiçar recursos sem problemas de consciência. O mesmo com as tolhas de banho, que não mudamos mais vezes do que faríamos em casa. O mesmo com tudo, enfim.

Por isso, é com naturalidade que os garotos interrompem um passeio de caiaque para trazer para a margem um enorme volume que andava a vogar por ali. Infelizmente, o mar continua a ser o caixote do lixo que se encarrega de levar para longe ou para as profundezas aquilo que ninguém quer.

Desse “lixo” temos vindo a recolher nos areais galegos caixas que os pescadores deitam ao mar, sabe-se lá porquê. Se há uma ou outra que se encontram partidas, muitas encontram-se em perfeito estado, jazendo na praia à espera que as marés de inverno as levem novamente de volta para o Atlântico. Cá em casa vão encontrando destino, seja para conservar as colheitas da horta, seja para servirem como arrumo provisório da roupa a ser dobrada ou para ir depositando quinquilharias várias.

São gestos pequenos, que não mudam o mundo mas que o tornam um bocadinho, mesmo que só um bocadinho, melhor. E as férias também podem servir para isso.

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