Olá verão

 

Esqueçam o calendário. Cá em casa, o verão só começa realmente quando o toldo que dá sombra para a cozinha está montado, a cortina espanta-moscas pendurada, a piscina instalada no sítio do costume.

E com a estação, chega o misto de alegria e frustração. Por um lado termina a rotina de acordar às horas certas e os horários marcados pelos alarmes diários: das aulas, dos ensaios, dos treinos, dos concertos. Chegam convites para piqueniques. Começam a marcar-se idas ao rio, procura-se espaço na agenda para a semana junto ao mar ou a vinda do primo para a quinzena do costume. Por outro lado, corre-se o sério risco de que o verão se transforme num ramerrame igualmente monótono de limpezas e arrumações que foram deixadas por fazer ou demasiado tempo livre passado no computador.

Por isso, a cada ano tentamos encontrar novas ideias ou então repetir as que funcionaram no passado.

Procurar pirilampos
Demorei anos a descobrir que havia pirilampos na minha aldeia. Lembrava-me com saudades das noites quentes em que saíamos (um rebanho de primos) para procurarmos pontinhos luminosos junto aos muros e do fascínio que era tê-los na mão, a apagar e a acender. Até que um dia vi um e outro, e outro mais à frente. Agora sei que basta estar atenta. Eles andam aí, só é preciso saber procurar.

Piquenicar ao luar
Numa noite de lua cheia um piquenique pode ser tão bom ou melhor do que durante o dia. Evitam-se as horas de maior calor, há sombra garantida e as moscas já foram voar para outra freguesia. Se for no campo, convém ir protegido contra os mosquitos. Para a praia basta um casaco… ou encontrar madeiras trazidas pelo mar para fazer uma fogueira.

 

Mergulhar no rio
Adoro o mar, quem não gosta? Mas não há nada como um banho no rio. Ou melhor, nos rios: cada um com uma identidade diferente. Uns gélidos, outros quase cálidos, transparentes ou cor de lodo, os que deslizam numa mansidão de curvas ou saltam entre poças e cascatas. Que sorte tenho, viver rodeada de rios e a cada verão descobrir um pedaço novo, onde estamos nós, as libelinhas e o rumor da água. Nada mais e isso é tanto.

Espreitar as águas
No mar ou no rio, não há nada mais relaxante, nada que nos tire deste mundo e nos transporte para um universo fantástico, como colocar a cabeça debaixo de água para espreitar o que se esconde no fundo. E não é preciso mais do que um tubo e uns óculos de mergulho. Descobertas infinitas e emoção garantida.

Navegar por aí
Um barco ou um caiaque que nos leve a descobrir novos recantos. No rio, na costa, nos lagos. Se houver lanche, chapéu e toalhas a bordo, temos programa para a tarde inteira.

Inventar, inovar, imaginar
Jogos, receitas, músicas e histórias. Descobrir novos destinos e caminhos, experimentar novos sabores, ir mais além ou então ao sítio ali ao lado que está à nossa espera desde sempre. Andar descalço, à chuva, ao molhe. Escrever postais (como dantes), um relato das férias a várias mãos. Apanhar conchas e amoras. Colecionar amores e sorrisos.

A cada ano inventar um novo verão.

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