NÃOstlé

Nos artigos e posts que escrevo só menciono nomes de marcas quando é absolutamente necessário. Ou então por distração porque, mesmo involuntariamente, alguns produtos acabam por se impor no nosso vocabulário. Ainda recentemente editei um texto, acabado de enviar para publicação, alterando a palavra nutella para a mais genérica designação de creme de chocolate com avelã.

Sei que sou picuinhas, afinal de contas digo jipe (da jeep) se falo de um carro todo-o-terreno, passei a juventude a vestir kispos quando o frio obrigava ao uso de anoraques e ignoro se existe outra palavra para x-acto, nome da empresa americana que comercializa produtos para escritório. Mas, por norma evito fazê-lo.

Pois bem, hoje vou fazer uma exceção: este post estará repleto de menções a empresas e marcas. Porque é necessário.

Como em muitos lares portugueses, também aqui entrou nescafé, nesquik, nestum e uma miríade de cereais de pequeno-almoço. Aos poucos fui fazendo alterações na alimentação, pelo excesso de açúcar e outros ingredientes desnecessários que via na lista de ingredientes. O chocolate em pó foi substituído por cacau, a que cada um adiciona o açúcar que quer, tendo mais consciência do que consome – eu, que gosto imenso de um leite com chocolate no inverno, descobri que se juntar um pouco de canela ao cacau posso prescindir de qualquer adoçante.

Café solúvel era raramente usado, pelo que um frasco de nescafé durava imenso tempo, e as crianças deixaram de apreciar nestum. Sobraram os outros cereais, com anúncios tão apelativos na TV e uma imensa variedade de formas e sabores, além de brindes, que se iam acumulando na caixa de coisas inúteis.

Até que, numa noite de insónia, vi um documentário sobre a marca que a nestlé e a coca-cola deixam no mundo. As mães que em Chiapas (o mais pobre Estado do México) alimentam os bebés com leite em pó diluído em coca-cola (porque não têm acesso a água potável e a bebida com cafeína é mais barata e mais acessível) e os navios pintados com a sigla da nestlé a subirem o Amazonas ávidos de novos consumidores, deixaram-me a certeza de que não é uma pegada, mas uma rasto enorme e sujo aquele que estas empresas deixam no mundo.

Há muito que percebi que manifestações, assinaturas, likes e posts revoltados no facebook pouco adiantam, se logo a seguir seguirmos a nossa vida da forma habitual. E que a única forma de fazermos mudanças é através da carteira, ou seja, das escolhas que fazemos na altura de comprar. Por isso, quando uns dias mais tarde vi este vídeo, que mostrava o total desprezo que a nestlé tem pelos recursos naturais resolvi banir qualquer das suas marcas do meu cesto de compras. Não foi fácil, porque a teia da nestlé estende-se a cada dia, abrangendo agora um número muito grande de empresas que costumavam ser portuguesas (no café só a Delta escapou). Mas também não foi um drama, há sempre outras alternativas.

Dir-me-ão que o meu gesto é insignificante, que os alicerces da maior empresa alimentar do planeta não tremem quando um simples cliente deixa de comprar os seus produtos. Mas a verdade é que os sucessivos boicotes mundiais à nestlé são tão significativos que obrigam a uma justificação no site da empresa, embora aqui seja dado destaque ao boicote iniciado nos anos 70 e não ao que se passa na atualidade.
Ainda recentemente, a pressão de várias ONGs fez com que a água engarrafada da nestlé não estivesse presente no pavilhão da Suiça, na Expo 2015 em Milão. Aliás, a água, que a nestlé quer privatizar e utilizar a todo o custo (mesmo em locais afetados pela seca) tem sido a causa dos protestos e boicotes mais recentes.

Por cá o movimento ainda é quase inexistente ou ignorado, mas porque o saber não ocupa lugar, aqui fica lista dos produtos comercializados pela nestlé em Portugal.

No Brasil são estes.

A escolha agora é vossa. A minha já foi feita.

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2 thoughts on “NÃOstlé

  1. Há já muito tempo que boycoto Neslé, Quando passo na Suiça em Vevey e vejo o edificio fico furiosa obrigada Ana para nos lembrar que sao todo predators

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