Caça ao tesouro

Somando as idades dos nossos filhos, já organizámos 24 festas de aniversário infantis, a grande maioria delas em casa. Sempre diferentes, porque há medida que vão crescendo vão também fazendo escolhas distintas. De quererem convidar toda a turma do infantário passam a escolher os amigos, pedem uma festa de pijama, ou até para trocar a festa por uma noite a acampar (e não foi por isso que deixou de haver bolo, com as velas sopradas no cimo de um penedo).
Com o tempo, as memórias de todas essas festas esbatem-se. Ficam os dias que foram diferentes, os que correram muito bem e aqueles em que jurámos não voltar a dar uma festa em casa – promessa quebrada um ano depois, quando o cheiro a vomitado, o sumo espalhado no chão, os brinquedos partidos e os gritos estridentes, já foram esquecidos.

E ficam as lembranças das caças ao tesouro, que planeámos várias vezes (na realidade, o génio destas coisas é o A., que tem um empenho e ideias inesgotáveis), em nossa casa e nas dos familiares, no apartamento e no campo. É sempre uma questão de as adaptar àquilo que existe, com imaginação para criar pistas. Os “tesouros” tanto podem ser as prendas, que têm de ser achadas pelo aniversariante (às vezes com a ajuda do irmão ou irmã, que se entusiasmam com a ideia),como moedas, de chocolate ou verdadeiras – neste caso, e se o grupo for grande, é bom ter um bom suplemento de cêntimos, para que todas sejam igualmente distribuídas. A ideia é que seja um divertimento em que todos participem (e todos ganhem) e não uma corrida.

Eis algumas das ideias que pusemos em prática, em várias ocasiões:

uma pista que remete para a caixa do correio (onde se encontra um mapa inicial)

ou metade de um mapa (a outra metade aparecia mais tarde) feito num papel velho, amarelado e amachucado, com desenhos alusivos a partes da casa e do jardim cujos nomes foram adaptados à temática da caça ao tesouro – num dos casos, o imaginário Harry Potter (a casa era Hogwarts College; a casa da árvore, Old Hagrid’s Cabin; Pond Lake, a piscina, e por aí fora…). Os nomes em inglês foram propositados, para estimular o idioma.

No fundo da piscina (onde a água lhes chega pelo umbigo) havia garrafas amarradas a pesos de chumbo, contendo palavras isoladas que formavam uma frase/pista para o próximo local.

Noutra ocasião, o mapa estava rasgado em vários pedaços, que tinham de encontrar para conseguirem seguir as pistas posteriores.

Uma frase num papel branco, escrita sem tinta, apenas pressionando com força a ponta de um objeto ligeiramente pontiagudo; para a ler, a pista anterior sugeria utilizar um lápis, fazendo passar ao de leve a mina sobre o papel, revelando o que lá estava escrito.

Rolhas que flutuavam (no caso, na água acumulada dentro de pneus velhos), formando uma frase-adivinha que levava ao próximo local,

uma tampa de frasco de compota, com a mensagem na parte interior e enterrado sob uma fina camada de solo, que eles tinham de encontrar utilizando um detetor de metais (de brincar, mas que funcionava).

Uma cópia da capa de um livro de contos de fadas – que eles conheciam bem e se encontrava na estante da sala – em cujo interior se encontrava parte do mapa.

Quatro versos escritos a computador (numa fonte gótica) e impressos de forma invertida – a pista anterior sugeria que eles utilizassem um espelho para a decifrar, sem o mencionar pelo nome, no entanto.

Uma caixa enterrada, no interior da qual está uma pista; para a desenterrar, a pista anterior sugeria utilizarem ferramentas próprias.

A mensagem levava à cave (as catacumbas), onde estava um walkie-talkie escondido. As pistas seguintes eram dadas de longe, com uma voz sinistra.

O tesouro encontrava-se no interior dum tubo de cartão preso no teto da garagem, cuja tampa de plástico eles tinham de puxar (através dum fio).

Noutra versão, o tesouro estava pendurado numa árvore atado a uma corda – quando olharam para cima viam algo pendurado e tinham de procurar a respetiva corda para o fazer descer.

(A prova de que estes momentos são muito preciosos, é que a M. ainda guarda muitas das pistas utilizadas nas diversas caças que organizámos, ao longo dos anos. Sem ela e o seu cuidado, este post não teria imagens.)

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