Os Morangos da Celina… e os meus

Ainda não tinha passado um ano desde a mudança para aqui, quando o meu filho me surpreendeu com a revelação do seu top das “três melhores coisas de Bragança”, ou seja, coisas que temos cá e não tínhamos em Espinho. Já não me lembro quais foram as outras duas, sei que num qualquer lugar do pódio estavam “os Morangos da Celina”.

A Celina é uma senhora que tem uma quinta perto de Vinhais onde, em modo de produção biológica, cultiva o que se dá por esta região. Os seus produtos, além de serem muito bons, são apanhados na mesma manhã em que ela os entrega em casa de cada cliente. E então traz batatas novas, ervilhas de quebrar, diminutas cenouras cheias de sabor, e nunca menos do que dois quilos de morangos, que desaparecem num instante. Sem açúcar, sem chantilly, sem mais nada do que a água necessária para os lavar, são comidos às mãos-cheias, sempre com a noção do espanto que é ter fruta assim. Porque os Morangos da Celina não se comparam com outros que tenhamos alguma vez provado – sabem a frutos silvestres colhidos em manhãs de orvalho, sabem a paisagens que só existem na nossa imaginação, a momentos que pensávamos ter esquecido. Deviam ser marca registada, ter um dia Internacional só para si, direito a medalha, condecoração. Ou não, daí a nada seriam massificados e adulterados. Melhor deixá-los no conhecimentos dos sortudos que lhe reconhecem a excelência.

Os pés de morangueiro plantados na minha horta foram oferecidos por uma vizinha, com a promessa de que dariam muitos frutos, duas vezes ao ano. É certo que a primeira colheita foi generosa, todos os dias vinha de lá com um cesto cada vez mais cheio, conforme junho avançava. Pequeninos, bons, bem melhores do que os de supermercado, mas… não são os da Celina. Falta-lhes sol, sabedoria, são certamente de outra variedade.

2_Morangos_meus

Por isso a sua abundância é transformada noutras coisas. Em gelado, feito com iogurte caseiro (e como é bom comer algo com apenas 3 ingredientes: fruta, iogurte, açúcar, por esta ordem, sem aromas, conservantes nem espessantes), em doce (pôr as crianças a colocar as etiquetas nos frascos dá sempre direito a obras originais)…

…e num bolo que foi ideia da minha filha: acrescentar morangos a uma receita de bolo de chocolate, com um resultado muito melhor do que ambas esperávamos.

Fica aqui a receita, que é muito simples: bater 125 gramas de manteiga à temperatura ambiente com 2 chávenas de açúcar. Acrescentar 4 ovos inteiros, 1 chávena de leite, 100 gramas de chocolate em barra previamente derretido, 2 chávenas de farinha e 1 colher de sobremesa de fermento em pó. No final juntar 2 chávenas de morangos partidos em pedaços e misturar bem. Levar ao forno a 180º, por cerca de 40 minutos.
Saborear em boa companhia.

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2 thoughts on “Os Morangos da Celina… e os meus

  1. Ai, os morangos da Celina… o bolo ficou lindo, com aquela crosta estaladiça a deixar os morangos espreitar. Não me ocorreria esta conjugação, mas lá que deve ter ficado bom, isso deve!

  2. Pingback: Ki… bom | Gastar metade Viver o dobro

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