Flores da época

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Houve tempos em que fazia questão de receber os amigos com muitos mimos: quando as horas sobejavam e ainda não havia miúdos para nos encherem os quartos e a vida – há muito tempo, portanto.
Nessa altura, no quarto que ainda era para as visitas havia cama feita com lençóis passados e flores frescas na mesinha de cabeceira. Uma vez, a amiga acabada de chegar agradeceu o cuidado, mas acrescentou que não gostava de flores compradas. Que, para ela, o melhor seria não ter nada, ou então uma qualquer verdura apanhada no campo. Como é uma pessoa com um feitio, digamos… peculiar, nem perguntei porquê. Tomei nota mental do seu comentário, acrescentando-o a outras estranhezas suas.

Ainda não tinha consciência dos milhares de quilómetros que muitas flores fazem, em contentores refrigerados, até chegar às lojas e a nossas casas, onde vão murchar em poucos dias. Nem das dezenas de pesticidas usados, do gasto de água em produtos que não são alimentares, das toneladas de plástico que são utilizadas para as embrulhar. Passei então a olhar para as flores com outros olhos, os mesmos que uso quando vejo cerejas à venda no Natal ou laranjas sul-africanas no verão – e eu gosto muito de laranjas.

Se fruta só compro a da época e tenho sempre em conta a origem (quanto mais próxima, melhor) passei a fazer o mesmo com as flores. Com a vantagem de que agora nem as flores compro, rodeada que estou de campos, sebes, montes, prados, e com um jardim que agora se multiplica em tufos floridos de rosmaninho. E assim vou vestindo a casa com as estações, enchendo-a de flores na primavera, de ervas secas no verão, de ramos amarelos no outono, com líquenes ou botões de roseira-brava no inverno.

Numa cidade, sem campos nem sebes, há a alternativa das feiras e mercados onde, a par com frutas e legumes, muitas vezes há quem venda as flores da época. E uma escolha enorme de vasos floridos, ou um espaço na varanda onde plantar girassóis.

Mais difícil será ter a surpresa que tive há dois dias, já andava eu a matutar neste post: encontrar à porta de casa sacos com rosas e ovos, cortesia de uma vizinha. Não há ramo, por mais caro e vistoso que seja, que se compare a estes gestos.

Para saber mais sobre a produção de flores em larga escala, pode ler aqui e aqui.

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One thought on “Flores da época

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