Gengibre, doce gengibre

Adoro gengibre. Gengibre em pó para bolos e bolachas, gengibre raspado nos pratos indianos, uma rodela de gengibre acrescentada ao chá de limão para curar a tosse, sopa de cenoura e gengibre, que nos aqueça o corpo (e a alma) nos dias mais frios de inverno. Até já provei cerveja de gengibre, uma espécie de bebida gaseificada, sem álcool, que sabe muito bem quando servida fresquinha.
Por isso, quando provei pela primeira vez gengibre cristalizado, em casa de uns amigos, achei que tinha descoberto o paraíso na forma de fatias finíssimas revestidas de açúcar – hóstias de sabor profano, quentes e boas. Caí das nuvens quando soube que a iguaria tinha sido comprada em Paris. A Cidade Luz, do Louvre, dos passeios na Rive Gauche, do gengibre cristalizado. Paris, je t’aime, mas ficas um pouco fora de mão para ir às compras.

Entretanto, há cerca de dois anos descobri uma loja no Porto, mais propriamente no Centro Comercial Bombarda, onde se vendiam saquinhos da delicatessen açucarada. A raiz cortada em pequenos cubos, não em fatias finas, mas mesmo assim o céu a uma distância decente. Comprei logo duas embalagens, mais duas na visita seguinte. A 5€ cada saco de 200 gramas era um luxo que debicava de vez em quando. Eu e o meu excelentíssimo esposo, que me acompanha na paixão pela guloseima.
Quando o esposo estava prestes a aniversariar, achei que seria uma boa prenda. Porém, o Porto não está aqui tão perto. Foi assim que meti mãos à obra, ou antes dedos ao teclado. Das várias receitas que encontrei, eu que nunca me tinha atrevido a cristalizar nada, segui a mais simples.

Depois de retirar a casca a 600 gr. de gengibre (raspar com uma colher de chá é a forma mais fácil), cortei a raiz em fatias muito finas, deixando de parte os pedaços interiores, mais duros (que foram congelados para utilização posterior em cozinhados). Coloquei as fatias num tacho (sobraram cerca de 500 gr. depois de retirar alguns pedaços), com água suficiente apenas para as cobrir. Deixei ferver primeiro, baixando o lume logo em seguida para que fervilhasse durante 45 minutos, até o líquido estar quase todo evaporado (convém que sobre cerca de ¼ da água). Em seguida acrescentei 500 gramas de açúcar, deixando fervilhar durante mais 20 minutos.

Côa-se então o gengibre, reservando a calda para outros usos. Eu guardei-a num frasco no frigorífico, para utilizar em gelados ou acrescentar a um chá. Coloquei mais açúcar numa tigela larga, envolvendo muito bem cada fatia e deixando arrefecer num tabuleiro. Depois disso guarda-se e está pronto a saborear.
Contabilizando o custo do gengibre, do açúcar e do gás, gastei cerca de 3,30€ numa iguaria que vai dar para muito tempo e vários usos.

Como estes deliciosos biscoitos, este bolo de chocolate ou o gelado de limão e gengibre que fiz como sobremesa no dia de aniversário, aproveitando o açúcar de envolver o gengibre que sobrou. Este gelado não necessita de ser feito na sorveteira e é de comer e chorar por mais.

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