No fly zone

Eis setembro, o mês das moscas. Prestes a despedirem-se, para regressarem no final do inverno, é nesta altura que estão mais ativas.
Descubri-o da forma mais difícil, quando mudamos para aqui, já lá vão 3 anos.
Casa nova ainda a cheirar a tinta, caixotes empilhados, todas as janelas abertas à brisa, enquanto as coisas encontravam um sítio… E um exército de moscas a invadir-nos a casa, conspurcando as superfícies mais claras, perturbando-nos o sono com os seus zumbidos irritantes. Era então isto a vida no campo?

Ver as estações passar atrás de janelas bem fechadas, uma ausência de aragens frescas para arrefecer as noites. Mais um mar de redes para tapar a comida, com as mãos em frenesim para afastar as malditas. E visitas recebidas com urgência (“entrem já, por causa das moscas”) e despedidas com igual pressa, nada de acenos com a porta entreaberta, nem crianças a roer uma maçã, sentadas na entrada da cozinha. Ou estavam dentro ou fora, não havia meio-termo.
Dirão que exagero, mas quem me tem lido aqui, sabe que se a vida no campo não é sempre um mar de rosas, muito dos momentos menos bons se devem à presença exasperante da Musca domestica.

A meio do segundo verão tínhamos já o problema quase resolvido, com mosquiteiros feitos à medida pelo António que, desde que veio para cá, se tornou num excelente faz-tudo. Havia ainda a questão da cozinha, onde está a porta com maior serventia, aquela que é crucial manter aberta para deixar sair o calor dos cozinhados
Uma cortina espanta-moscas era a solução ideal, mas eram tão feias todas as que víamos… Até que, por acaso, encontrei o que procurava na secção infantil do Ikea: um cortinado arco-irís que serve para dividir espaços em quartos de crianças.
Colocada a cortina, descobrimos um problema. As fitas de plástico, muito leves, esvoaçavam ao mais pequeno sopro, tornando-se pouco eficazes para o que se pretendia.

Armados em Ikea hackers, resolvemos a questão colando na base umas chapinhas de ferro que as tornam mais pesadas.
E assim temos agora uma casa finalmente livre de moscas e outros insetos, com a vantagem de, conforme a hora do dia, vermos pequenos arco-irís espalhados pelas paredes, que se infiltram até nos recantos da despensa.

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5 thoughts on “No fly zone

  1. Obrigada pela dica, vou tentar encontrar numa próxima ida ao Ikea. A sua porta parece de correr, como a minha, e se funcionou, vou imitar a técnica 🙂

  2. Pingback: Olá verão | Gastar metade Viver o dobro

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