Férias de luxo

Acabada de chegar de férias na praia, restos de areia e conchas ainda espalhadas pela casa, tenho de confessar que nesses poucos dias passados à beira-mar não abdico de que tudo seja 5 estrelas.

Por isso todos os anos repetimos a estadia nos apartamentos que descobri há uns anos depois de muitas horas de navegação pela net. Têm tudo de bom: localização em cima da costa (mais próximo da água só se fossem palafitas), uma praia de areia fina (quase) privativa mesmo ao lado, um cais em frente de onde os miúdos dão mergulhos divertidos, um recinto relvado onde podem jogar bola e um pátio interior onde, quando eram mais pequenos, podiam brincar em segurança.

Nos dois minutos que nos demora a chegar à praia passamos por pinheiros debruçados sobre águas claras, de cujos ramos os esquilos nos espreitam. Há dias inteiros em que não pegamos no carro, saindo a pé pela manhã para ir comprar pão fresco por um caminho rodeado por ervas secas que balançam ao sabor da brisa.
Quando nos apetece variar, temos inúmeras praias à escolha: desde enseadas recatadas a areais com muitos quilómetros de extensão. Todas com água tão turquesa e transparente que merecem o comentário ouvido este ano: “es como el Caribe, pero más frio”.

É precisamente a temperatura da água e o clima inconstante que tornam este destino a cerca de 3 horas de casa muito menos concorrido do que as praias do sul. São raros os anos em que não apanhamos um ou mais dias de chuva. Nada que nos impeça de sair, seja para explorar as praias agrestes, de seixos rolados, ou para descobrir encantadores portos piscatórios, que nos dão sempre vontade de regressar no inverno. Houve um ano em que os miúdos se dedicaram à pesca – a partir do mesmo cais de onde mergulham – e nesse dia o jantar foram os sete sargos que pescaram, com a alegria das emoções inaugurais.

Guarda-sol multiusos, que também protege da chuva, quando é preciso.

Guarda-sol multiusos, que também protege da chuva, quando é preciso.

Há um mundo de recordações que trazemos dali. Jantares na praia, junto a fogueiras feitas com madeiras trazidas pelas ondas, tardes inteiras a explorar os tesouros encontrados nas poças de maré – camarões, caranguejos, estrelas-do-mar, “conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos…” -, passeios ao crepúsculo à procura da luz fugidia dos pirilampos, construções na areia, corridas de caricas com obstáculos, campeonatos de pingue-pongue. E rochas que se tornaram deles, porque as nomearam, um “castelo” e um “navio” que voltam a conquistar a cada novo regresso.

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É este todo o luxo que usufruímos nas férias. Porque o sítio onde ficamos não tem ponta de charme ou glamour. Não tem piscina nem receção, mas uns donos simpáticos que nos batem à porta para oferecer produtos da sua horta, não tem restaurante, mas uma cozinha onde almoçamos a olhar para os veleiros. Tem toalhas de banho quase tão finas como lençóis, portas de armários que tanto abrem como não, objetos que se nos partem nas mãos, gavetas com talheres reduzidos ao mínimo indispensável.
E contudo… os miúdos, que costumam dar importância ao que é verdadeiramente importante (e dariam péssimos inspetores de hotelaria) continuam a espantar-se que o alojamento não esteja classificado como 5 estrelas, pois “se é tão fixe”.

Mas é nesse sítio, de 1 estrela, que temos sempre férias magníficas, divertidas e relaxantes.

Porque nos basta uma cerveja fresca, uns pimientos de Padrón, um prato mexilhões e a visão de um barquinho vermelho num mar incrivelmente azul para sermos felizes.

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5 thoughts on “Férias de luxo

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