Corta relva

Os lameiros estão em pousio. É preciso que o feno cresça, para ter com que alimentar os animais durante o inverno. As alcatifas verdes, mantidas rentes ao chão pelos rebanhos, erguem-se agora numa euforia de flores, libertas dos dentes insaciáveis das ovelhas.

Entre o começo de abril e o final de junho os pastores têm de procurar outros lugares. Vão para os montes, para prados alternativos. Vão para mais longe, chegam a casa depois do sol se pôr.

Nós, em contrapartida temos um terreno bravio, onde só agora começa a despontar o projeto de uma pequena horta. Temos ervas com fartura, que crescem de forma descontrolada. Não tarda estão tão altas que as crianças se podem esconder lá pelo meio.
Por isso, nada melhor do que abrir os portões ao gado dos vizinhos, pagando-lhes toda as gentilezas que têm connosco.
Todas estas imagens foram tiradas ontem, com poucas horas de diferença. De manhã, entraram as vacas mirandesas do sr. Fernando, ao fim da tarde tarde, as ovelhas churras do sr. Adelino.

Enquanto se olha pelas ovelhas, um copo de vinho, dois dedos de conversa. E tanto se aprende com estes homens simples, que nos desvendam os seus mundos. Que as vacas, por exemplo, nunca virão depois das ovelhas, porque lhes sentem o cheiro.

Outros gestos não precisam de palavras. Quando o sino toca, o pastor retira o boné e fica de cabeça descoberta até que o eco das badaladas se perca entre as árvores dos cerros.
Gestos antigos de um tempo sem pressa – e tanto a aprender com quem nunca foi à escola.

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