Tantos dias por estrear

Podíamos chamar-lhe réveillon, mas aqui não houve tournedó com champignon nem espumoso champagne. Muito menos esperançosas passas, que não gostamos de nos engasgar com desejos apressados.
Para os miúdos houve, sim, bebidas excecionais – porque são a exceção reservada para os dias especiais. E foram atendidos alguns caprichos gastronómicos: queijo caprino, chouriço fumegante e uma aletria que me deu muita alegria, porque pela primeira vez saiu mesmo como eu queria.

Não foi um réveillon, foi uma festa celebrada na mais nuclear família, preparada a oito mãos, que cortaram, amassaram, picotaram, desenharam, deixaram as coisas preparadas para que tudo fosse perfeito.
E assim foi. Sem espetáculos televisivos cómicos ou depressivos, nem badaladas certeiras (os quatro despertadores ligados pela rapariga tocaram com segundos de diferença, deixando-nos sem saber com que pé entrar no ano desafinado).
Houve jogos velhos e inventados, gargalhadas, música e danças ridículas (“todas as danças de fim de ano são ridículas” será a mais inofensiva das citações do pobre poeta, que não criou heterónimos suficientes que escrevessem todos os medíocres poemas que lhe atribuem).

Não foi um réveillon. Foi uma celebração, de quem gosta de inaugurar anos, dias e tradições. As nossas.

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2 thoughts on “Tantos dias por estrear

  1. Carissimos .muito obrigado mais uma vez pela partilha de um momento especial onde a simplicidade é sinonimo de felicidade!.

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