Adeus às máquinas

Na cozinha, junto a outros pequenos eletrodomésticos que para já não dispenso, estão três máquinas que pus de lado: a máquina de pão, a cafeteira e uma chaleira elétrica, que me ofereceram há alguns anos. No entanto, continuo a fazer pão caseiro, a beber café todos os dias e a aquecer água para o chá, sem lhes sentir a falta.

No conjunto de eletrodomésticos que tive e deixei de usar poderia estar também uma máquina de fazer sumos (que raramente usava, pelo trabalho que dava a limpar e a voltar a montar), uma arrozeira (outra oferta de alguém que não dispensava uma igual, mas cuja vantagem em relação ao método tradicional nunca entendi) e um aspirador manual, substituído pela silenciosa vassoura assim que avariou.

A verdade é que há um mundo de (in)utilidades domésticas que nos são impingidas como indispensáveis mas cujo benefício é mais emocional do que efetivo. Será o tempo que as máquinas nos poupam tão grande como nos querem fazer crer? E que fazemos com esse tempo? Sentamo-nos em frente à televisão a ver um programa sobre os benefícios da atividade física?
E se a ideia de beber um copo de sumo de fruta é bem agradável, será melhor do que trincar uma talhada da melancia ou roer uma maçã enquanto se olha pela janela?
Já os custos, parecem-me evidentes. Não só os da compra e manutenção, mas sobretudo dos acessórios (como filtros para o café) e da conta da eletricidadade, um rombo cada vez maior no orçamento mensal.

Cada um fará as suas escolhas, segundo os seus hábitos e necessidades. Mas, tal como indicado na máquina de pão abandonada, é bom parar para pensar e fazer opções. As nossas, e não as dos outros. Mesmo que tenha de ouvir, com um sorriso nos lábios: “Não tens micro-ondas? Isso é tããão campestre!”.

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6 thoughts on “Adeus às máquinas

  1. Como te entendo. Nós também já dissémos adeus ao micro-ondas há uns tempos (ao que parece não são nada bons para a saúde). Chaleira e máquina de sumos eléctricas nunca tivémos (mas nunca nos faltaram as sobrancelhas levantadas de incredulidade). A máquina do pão é que não dispenso, com a padaria a 6 km e a tarifa bi-horária, compensa tê-la a trabalhar de madrugada e acordar com o cheirinho do pão acabado de cozer sabe tão bem!

  2. Eu nunca tive micro-ondas (nem nunca mexi em nenhum…) e já me habituei a ser olhada como uma aberração por causa disso. E levo almoço para o trabalho – vai num termo ou num saco térmico 🙂

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