Real festim

A ideia inicial era fazer um lanche medieval, com iguarias reais e convite formulado segundo a terminologia da época. Uma coisa simples: bolachas em forma de coroa, com chá, café ou laranjada, segundo os gostos dos ilustres convidados. O design e o texto dos convites ficariam por conta da M..
Só que nós, os pais, achámos que festa medieval que se prezasse teria de ter um castelo, – e porque não uma tenda? – e, já agora, roupa a condizer. Ao entusiasmo crescente juntou-se um desafio: não gastar um cêntimo nos preparativos, muito menos deambular pelas lojas à procura de adereços.

A fantasia foi tomando forma. Do castelo já havia as fundações, faltavam apenas as ameias e uma torre, se possível. Problema resolvido no ecocentro da cidade, de onde viemos com o carro atulhado de cartões e até com a desejada caixa de frigorífico para erguer o torreão.
Lençóis velhos resolveram a questão da tenda para as reuniões secretas da corte. Uma velha t-shirt pintada, calças recortadas e um chapéu de outros carnavais vestiram o bobo, enquanto que o cavaleiro se aperaltou de roupa escura, cotoveleiras a servir de armadura e um escudo de madeira. O rei precisava de uma coroa, que foi feita com pacotes de leite, devidamente lavados e agrafados, até ter a circunferência do real crânio. Assim surgiu uma coroa prateada, adornada de safiras de plástico e fios dourados, e fechada com velcro para que possa vir a ser usada em outras coroações.

O convite seguiu por correio, devidamente selado com lacre. A resposta foi mais criativa: apareceu misteriosamente no jardim, enrolada numa seta.
No dia marcado chegaram as amigas, ou antes uma princesa com uma tiara de flores campestres acompanhada pela sua leal escudeira, e a festa começou. Jogos, correrias, uma princesa a chamar da torre, à espera de ser ouvida por um príncipe garboso, mas o melhor, segundo eles, ainda estava para vir.
O jantar foi planeado ser feito na fogueira, e onde há fogo há tochas (feitas de paus, trapos e óleo alimentar usado) e setas ardentes para atacar os inimigos.

E assim se fez uma festa, “muito, muito fixe”, sem gastar um pataco. O tesouro, de valor incalculável, encontrámo-lo no brilho dos seus olhos à hora de deitar.

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